Economia
Café de altitude: Pernambuco busca reconhecimento para valorizar produção local
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A tradição cafeeira de Triunfo, no Sertão pernambucano, e de Taquaritinga do Norte, no Agreste, está prestes a ser reconhecida oficialmente. Produtores dessas regiões estão na fase final do processo para registrar no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a Indicação Geográfica (IG) para os cafés cultivados nessas localidades, na modalidade Denominação de Origem. Esse selo reconhece produtos cuja qualidade está diretamente ligada ao território de produção, aumentando o valor agregado e as oportunidades de mercado. Atualmente, apenas Bahia e Ceará possuem áreas certificadas para cafés no Nordeste.
A iniciativa em Triunfo também abrange Santa Cruz da Baixa Verde e teve início através de uma parceria entre o Sebrae Pernambuco e a Agência de Desenvolvimento Econômico do estado. A região já é reconhecida nacionalmente pela produção de cafés especiais, que se beneficiam das condições naturais locais, como clima de altitude, temperaturas mais baixas e características de solo e relevo. A certificação como Indicação Geográfica tem o potencial de valorizar ainda mais a produção local, que é baseada principalmente na agricultura familiar.
Além das características naturais, o processo de certificação considera o conhecimento tradicional da região, passado de geração em geração. Para os produtores, o selo representa não apenas valor comercial, mas também visibilidade para o território. Vanda Gonçalves, presidente da Associação dos Cafeicultores de Triunfo, destaca que a Indicação Geográfica pode fortalecer não só a produção de café, mas também outras atividades econômicas locais, como o turismo rural.
Em Taquaritinga do Norte, na Serra do Taquari, os produtores também buscam o reconhecimento da Indicação Geográfica para seus cafés arábica cultivados acima de 600 metros de altitude. O processo envolve critérios rigorosos, como cultivo sombreado e avaliações sensoriais que comprovem a qualidade do produto. Mais de 20 produtores participam do projeto, que visa valorizar a identidade da produção regional e destacar a qualidade e origem do café.
A certificação como Indicação Geográfica é vista como um avanço significativo para as regiões cafeeiras de Pernambuco, que poderão ganhar destaque no mercado nacional e internacional. A valorização do café de altitude produzido nessas localidades não só beneficia economicamente os produtores, mas também fortalece a identidade cultural e turística dos municípios.