Reentrada de lixo espacial é vista do Pará ao Ceará
No início da noite, terça-feira, 16 de março, por volta das 18:46 (horário de Brasília), objetos resultantes de lixo espacial acabou reentrando na atmosfera terrestre, bem acima do estado do Pará.
Existem algumas dezenas de milhares de satélites e pedaços de lixo espacial espalhados pela órbita terrestre. E no início da noite desta terça-feira, 16 de março, por volta das 18:46 (horário de Brasília), um desses objetos acabou reentrando na atmosfera terrestre, bem acima do estado do Pará, sendo avistado a partir de diversas cidades do Pará e do Ceará, pelo menos.
Rede Brasileira de Observação de Meteoros coletou diversos relatos a partir das redes sociais e da sua ferramenta de reporte de bólidos, dando conta do avistamento de uma bola de fogo nos céus do Pará. Diversas imagens publicadas nas redes sociais registraram o fenômeno, além de dois vídeos em câmeras do Clima ao Vivo, uma em Belém do Pará, e outra em Fortaleza, no Ceará. Os testemunhos se concentraram na região metropolitana de Belém, onde boa parte do objeto se desintegrou. Porém, houveram também relatos vindos do estado do Ceará, a mais de 800 quilômetros de distância. Confira algumas imagens:
Registro de vídeos amadores no norte do Brasil. Crédito: Bramon Brazilian Meteor Observation Network
Baseado nos relatos e nas imagens, a BRAMON concluiu tratar-se da reentrada de lixo espacial e identificou um objeto que possivelmente é o que causou a bola de fogo observada no norte do país. Trata-se de um corpo de foguete, de identificação NORAD 22032. Inicialmente acreditava-se se tratar de uma Sylda do Ariane 5, mas depois de pesquisas mais detalhadas, foi identificado o corpo de um foguete que não é observado desde o dia 11 e cuja reentrada estava prevista para o domingo, dia 14, de acordo com os cálculos de Joseph Remis, especialista em reentradas.
Reentrada do Corpo do Foguete Ariane 44L prevista para o dia 14 de março, às 18:40 (21:40 UT) – Créditos: Joseph Remis
O objeto em questão é o corpo do terceiro estágio do foguete Ariane 44L (NORAD 22032) lançado em 9 de julho de 1992 a partir do Centro Espacial Guyanais, na Guiana Francesa. O terceiro estágio é o responsável por inserir a carga útil (satélite, por exemplo) em sua órbita. Depois de cumprida a missão, o corpo do foguete executa operações de segurança, como o esvaziamento dos seus tanques de combustível e permanece como lixo espacial em órbita da Terra. Se em sua órbita, ele se aproximar suficientemente da Terra para que sofra arrasto atmosférico, ele vai, aos poucos, perdendo altitude até reentrar na atmosfera terrestre, gerando um bola de fogo como a que foi vista no norte do país nessa terça.
Foguete Ariane 44L – Créditos: Arianespace/ESO
Em suas análises preliminares a BRAMON mediu um trecho de 845 km em que o objeto levou 118 segundos para percorrer, indicando uma velocidade de 7,16 km/s, o que é compatível com a velocidade de reentrada de um objeto em órbita da Terra.
Trajetória preliminar da bola de fogo – Créditos: BRAMON
POR QUE REENTRADA TERIA OCORRIDO 48 HORAS DEPOIS DO PREVISTO?
Todos os objetos em órbita da Terra são monitorados por órgãos internacionais e por observadores de satélites amadores. A cada passagem observada de um objeto, eles medem a posição e o horário exato da passagem e o conjunto das observações feitas em vários dias permite o cálculo dos parâmetros orbitais do satélite.
Com esses parâmetros, é possível calcular onde ele está em cada momento e suas próximas passagens sobre um determinado local. Mas quando um objeto está próximo da reentrada, conforme ele vai perdendo altitude, vai alterando significativamente seus parâmetros orbitais. Isso torna muito complicado determinar a data, hora e local exato de queda, principalmente se não existem observações recentes.
Com isso, o calculo que indicou a reentrada no dia 14 devia estar com uma margem de erro muito alta. E nesse caso, seria bem possível que sua reentrada tenha ocorrido nessa terça (16) e seja essa observada do Pará ao Ceará.
ASSUSTADOR, MAS SEGURO
Apesar do fenômeno ser assustador para muitas pessoas, reentradas de lixo espacial como esse, não representam riscos significativos para a população. Apenas os grandes satélites e corpos de foguete tem partes suficientemente resistentes para sobreviver à reentrada e chegar ao solo. Isso até ocorre de vez em quando, nunca provocam grandes danos já que chegam ao solo com velocidade bastante reduzida. Mas nesse caso, considerando a trajetória da bola de fogo, qualquer parte que tenha resistido à reentrada, certamente caiu no mar, no meio do Oceano Atlântico.
LIXO DA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL?
Algumas pessoas sugeriram que poderia ser a reentrada de lixo vindo da Estação Espacial Internacional, já que recentemente eles liberaram mais de 2 toneladas de detritos no espaço. Porém, esse lixo todo ficará orbitando o planeta por alguns anos ainda, e em uma trajetória bem diferente da bola de fogo observada nessa terça feira. Então, não há possibilidade de que os detritos descartados da Estação Espacial Internacional tenham causado esse evento. A maior possibilidade no momento é que tenha sido realmente o corpo do foguete Ariane 44L.
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